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| Pôr do sol no Rio Madeira em Porto Velho. Foto: J. Vilela |
Porto Velho, capital do estado de Rondônia, está situada à margem direita do Rio Madeira, importante afluente do Rio Amazonas, em plena floresta Amazônica, ocupando uma área de 34.082,37 km². Seu surgimento se deve à épica construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que teve seu início em meados do século XIX. O objetivo da construção era possibilitar o escoamento da borracha produzida em terras bolivianas, contornando 366 km por terra, no trecho do rio que não possibilitava navegação. Desde Santo Antônio do Madeira (localizado a 7 km de Porto Velho) até Guajará-Mirim, continha dezenove cachoeiras, bloqueando as bacias navegáveis dos rios Guaporé, Mamoré e Beni (BORZACOV, 2007).
Ao longo das tentativas de construção e em face da natureza insalubre da região, houve muitas mortes e muitos insucessos. Contudo, com todos os problemas envolvendo a periculosidade da região, a obra foi concluída no início do século XX. Em 1903, através de um acordo – o Tratado de Petrópolis – o Brasil incorporou o Acre ao território Brasileiro. Em contrapartida, pagou a quantia de 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia, além de se comprometer em terminar a obra da E. F. Madeira-Mamoré, para então escoar a produção de borracha boliviana. Em 1907, se deu o reinício da construção, propiciando a finalização em 1912 (TEIXEIRA; FONSECA, 2003).
A construção da ferrovia, única do gênero, possibilitou um fluxo migratório intenso para a região. Pessoas de todos os lugares do mundo vieram trabalhar na obra, imaginando encontrar, por meio da preciosa borracha, um futuro feliz. O povoamento de Porto Velho, junto com a estrutura urbana necessária para se viver, surgiu graças aos trabalhadores da companhia construtora, que foram estabelecendo seus lares nos arredores.
Mas, a borracha amazônica foi perdendo espaço no mercado internacional, em face da plantação de seringais em terras da Malásia, e deteve o crescimento populacional da cidade. Durante a década de 20 a 30, a produção da borracha amazônica não tinha mais investimentos e caiu no esquecimento (TEIXEIRA; FONSECA, 2003). Porém, no período da II Guerra, houve novamente a precisão. Os seringais malaios foram tomados por forças japoneses, e os EUA viram seu suprimento de borracha cortado. Em um acordo com o Brasil, foi reativada a produção em seringais amazônicos. Os esforços para captação de mão-de-obra e investimentos para essa nova produção proporcionaram um período curto de prosperidade para a região. Muitos trabalhadores, vindos do nordeste, instalaram-se nos arredores, principalmente em Porto Velho. Após a guerra, novamente estagnou.
Em meados do século XX, a descoberta de cassiterita e outras pedras preciosas na região, do então Estado de Rondônia, induziram um novo fluxo migratório, composto por garimpeiros, oriundos de diversos lugares do Brasil (TEIXEIRA; FONSECA, 2003). A maioria se estabeleceu em Porto Velho. Isso reaqueceu a economia local e propiciou o desenvolvimento populacional.
Na década de 60, a abertura da BR-364, ligando a região ao centro-sul do país, impulsionou um novo surto migratório para a região. Mas foi a partir da década de 70, com a pavimentação da BR, que de acordo com Teixeira e Fonseca (2003), o fluxo migratório dessa época, possibilitou ao município, um relevante crescimento populacional, culminando na expansão urbana, na década de 80. Diferente das migrações anteriores, que eram devido ao garimpo, essa apresentou características sedentárias, se devendo à busca de terras para agricultura. De lá pra cá, Porto Velho foi assumindo um crescimento populacional de grandes proporções, só diminuindo de ritmo em meados da década de 90.
| As Três Caixas D'água. Símbolos da cidade. Foto: J. Vilela |
